Trajetória da Oficina de Música Sonia Silva
1979 a 2009

O que há em comum em todas as escolas de música?
O que é sempre igual? E o que muda sempre?

A Oficina de Música Sonia Silva surgiu no panorama paulistano em outubro de 1979, depois que Sonia Silva, arte-educadora, musicista e arte-terapeuta, vinda de uma especialização em Educação Musical com Maurice Martenot – em Paris, decidiu criar um espaço livre de educação, situado no bairro de Alto de Pinheiros. Há 30 anos, Sonia e a Oficina abordam questões relativas ao fazer musical de crianças, jovens e adultos.
A prática de ensino da Oficina fundamenta-se em metodologias contemporâneas de pedagogia musical focadas no improviso, na criação, nas oficinas de construção de instrumentos e na execução instrumental vocal e corporal, que buscam desenvolver o humano e o sensível. Entre os autores que norteiam o trabalho da Oficina estão: H.J. Koellreutter, M. Duschenes, M. Schaffer, R. Pace, C. Orff, Kodály, Martenot, Gainza, Piaget, C.G. Jung, E. Morin, G. Bachelard, entre outros.

LINHA DO TEMPO

O COMEÇO
1979 a 1990
Foi em outubro de 1979 que o primeiro grupo de Musicalização se formou, com 4 alunos indicados por um antigo professor da Sonia, de Análise Musical, da Pró-Arte, José Massimo Ribeiro. Aos poucos, o trabalho centrado na prática de Sonia Silva foi ganhando novos profissionais e novos projetos. O eixo do trabalho, nessa época, era:
- o lúdico
- o coletivo
- a consciência corporal
... que se contrapunham ao formalismo da educação pela disciplina, pela teoria, pelo conhecido.

DESENVOLVIMENTO
1990 a 2000
Com o passar do tempo, a necessidade e desejo de tocar melodias e arranjos conhecidos trouxe consigo a chegada de vários instrumentistas à equipe, o que consolidava a questão do fazer coletivo. A diversidade de formação dos professores enriqueceu o fazer musical através da formação de grupos instrumentais variados. Músicos profissionais como Helio Ziskind, Mário Manga, Guello, Tião Carvalho, Gustavo Kurlat, Gabriel Levi, Marcelo Grillo, Marilia Macedo, Banda Mantiqueira, entre outros, passaram por lá para deixar seu recado, nos anos 1980/90. Além das criações os projetos foram focados nas seguintes questões:
- apresentações em grandes teatros
- domínio de um instrumento
- ouvir e descobrir o outro

EXPANSÃO
2000 a 2009
Surgiram as parcerias com entidades da área de Saúde, focando o trabalho musical em seu potencial terapêutico Esse foi um novo passo dado a partir de 2000. Uma nova frente de pesquisa e interesse surgiu, com as crianças internadas no GRAAC e com alunos deficientes visuais da Associação LARAMARA. Crianças e jovens que apresentavam transtornos significativos em seu desenvolvimento mental, motor e emocional do Laboratório do Curso de Terapia Ocupacional da Universidade de São Paulo (Espaço Lúdico e Pacto) começaram a frequentar o espaço da Oficina de Música. O acesso mais imediato à informação, através da informática e Internet, onde a quantidade e variedade de escuta são múltiplas e de difícil mapeamento (em função também das constantes transformações que sofrem), levou a Oficina a repensar conceitos pedagógicos de formação e informação. Uma nova escuta e um novo tocar ganharam ressignificações, a partir de novos parâmetros. Nesse momento, a canção adquire nova presença: uma autonomia da musica instrumental, onde a relação entre fala e melodia é um meio altamente poderoso de comunicação, que carrega um enorme potencial pedagógico. Arranjar melodias é o desafio. O trabalho foca-se nessas questões:
- arranjos e instrumentação
- levar canções e contato musical para novos grupos sociais (doentes, população de risco, terapeutas e agentes culturais)
- rever a necessidade do conhecimento formal
- criação de vídeos clipes e cds

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